Uma investigação da TV Bahia expôs um esquema que resultou no superfaturamento de milhões de reais em cachês de artistas pagos com verba pública no estado da Bahia. A prática, que ocorreu entre 2015 e 2024, foi identificada por meio da análise de relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e de centenas de notas fiscais.
O inquérito menciona quatro produtoras de eventos e um ex-gestor da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia, Diogo Medrado, que negou qualquer irregularidade. Os gastos da superintendência totalizaram R$ 1,84 bilhão até 2026, com um crescimento significativo nos valores destinados a eventos nos últimos anos.
Entre 2023 e 2025, foram registrados 641 pagamentos para as produtoras, somando R$ 58 milhões. Algumas dessas empresas compartilham endereços e têm laços familiares entre seus responsáveis. Um dos envolvidos, Alexsandro Sampaio, foi gravado admitindo a manipulação dos contratos.
Os artistas contratados, frequentemente de menor visibilidade, eram pagos valores muito acima do que normalmente cobrariam. Muitos desconheciam o esquema, que era orquestrado por produtores que exigiam notas fiscais com valores inflacionados. As irregularidades foram sendo registradas desde 2015, com diversas contas desaprovadas pelo TCE.
A investigação também destacou a utilização indevida de inexigibilidade de licitação, que, quando aplicada, deve seguir rigorosos critérios para garantir a legalidade nas contratações. Em algumas situações, cachês de até R$ 180 mil foram pagos, enquanto outros artistas recebiam valores significativamente menores.