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Conflitos Familiares e a Saúde Emocional
As divergências familiares podem ocasionar diversos prejuízos psíquicos aos envolvidos
Por Psican. Francisco Braga
Publicado em 09/04/2026 18:26
Saúde Mental
Famílias em conflitos

As divergências familiares podem ocasionar inúmeros prejuízos psíquicos aos envolvidos, afetando a saúde emocional.

 Percebeu-se que um clima familiar saudável com presença de apoio e menores níveis de conflito e violência contribuem para o bom desenvolvimento do bem-estar mental e minimizam os fatores psicopatológicos.

Outros estudos são fundamentais para melhor elucidar e aprofundar o conhecimento na compreensão sobre os impactos dos conflitos familiares na saúde emocional dos envolvidos.

A família é caracterizada por ser o primeiro grupo social no qual o indivíduo é inserido e, é nesse ambiente familiar que se inicia o desenvolvimento cognitivo e emocional de cada um de seus membros.

Desse modo, a dinâmica familiar, que passa por diversas fases e ciclos, influenciará de forma positiva ou negativa os seus integrantes, a partir de fatores econômicos, sociais, cognitivos, entre outros.

Atualmente, famílias são formadas a partir de diversos contextos e a forma como esse núcleo familiar se desenvolve e se relaciona afeta uns aos outros.

Por ser a família considerada o primeiro e mais importante ambiente para o desenvolvimento humano, entende-se a importância de fomentar a qualidade das relações familiares e, dessa forma, permitir que os membros da família se sintam seguros, acolhidos e felizes.

É importante observar como ocorre a relação do casal dentro do seio familiar, pois o relacionamento dos pais pode influenciar o desenvolvimento emocional dos filhos.

 Famílias que têm como padrão de relacionamento o excesso de conflitos e baixa afetividade propiciam um ambiente desencadeador de psicopatologias, como a depressão, que atinge tanto para os filhos quanto para os pais.

Uma das maneiras de um casal entrar em contato com seus conflitos é através do sintoma de seus filhos, o qual denuncia a dinâmica do casal.

Dessa forma, as atitudes, os comportamentos e as reações dos filhos podem demonstrar o reflexo da vivência em família. Essa dinâmica da família é crucial para o desenvolvimento emocional de cada um dos envolvidos.

A qualidade do funcionamento familiar afeta diretamente a vida dos filhos, incluindo o desenvolvimento escolar e a autoestima, dessa maneira, quando a família possui um relacionamento saudável, há possibilidade de construção de sentimentos de competência e de valor, os quais são determinantes para o desenvolvimento de uma autoestima positiva.

Levando em consideração o que foi dito anteriormente, os sentimentos positivos permitem que o indivíduo tenha melhores condições para enfrentar os problemas que surgirão no decorrer de suas vidas e as demais demandas ambientais, além de proporcionar o desenvolvimento de comportamentos adaptativos e funcionais.

O relacionamento que os pais ou cuidadores estabelecem na infância é de grande importância, assim, o afeto, a atenção e o cuidado permitem que a criança se desenvolva bem, por outro lado, a falta destes cuidados, pode aumentar a probabilidade da manifestação de transtornos mentais e comportamentos disfuncionais, tanto durante a infância quanto nas fases sequenciais da vida.

É relevante ressaltar que apesar dos possíveis empecilhos encontrados no seio da vida familiar de origem, desenvolver a maturidade na fase adulta auxilia o indivíduo a lidar com dificuldades e a desenvolver relacionamentos saudáveis, uma vez que uma pessoa madura passa a sensação de confiança, por meio de suas atitudes, do seu modo de encarar a vida e de abordar os problemas, demonstrando a capacidade de avaliar corretamente as situações e emitir um parecer ponderado sobre o valor das coisas e das pessoas, pois apresenta saúde emocional.

Há uma crescente preocupação com a forma que os conflitos familiares podem afetar a saúde emocional das pessoas e, também, a forma que o diálogo é estabelecido ou a falta dele contribui em grande parte para o aumento dos conflitos dentro dos relacionamentos.

Além disso, é importante notar que as análises sobre os processos relacionais familiares assinalam uma associação entre o conflito conjugal e a presença de adversidades no contexto familiar com diversos comprometimentos no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes.

O impacto negativo do conflito conjugal no desenvolvimento psicológico, emocional, cognitivo e social dos filhos, principalmente quando há violência física e verbal entre o casal.

 Nesse sentido, percebe-se que há um consenso, o qual reforça que a família está profundamente ligada aos transtornos  emocionais e de comportamentos, relacionados à infância e adolescência.

Ademais, é importante expor que há conflitos mais brandos, como os pequenos desentendimentos, e, os conflitos graves, como as situações de violência doméstica.

Há, também, as dificuldades cotidianas de gerenciar as necessidades de todos e os conflitos de valores, de mentalidades e de comportamentos que geralmente opõem adultos e jovens.

Um exemplo de situação geradora de problemas emocionais e psicológicos é o caso de a criança observar atitudes de desprezo de algum dos genitores para com o outro, o qual rebaixa o companheiro (a) diante dos filhos.

 Tal situação prejudicará a ideia que a criança fará do papel da mulher ou do homem e terá como possíveis consequências a revolta ou uma profunda insatisfação com o próprio sexo ou com o sexo oposto.

Há pesquisas que indicam alguns fatores como sendo os maiores geradores de consequências negativas para as crianças.

Entre esses fatores estão: baixos níveis de coesão familiar, discórdia matrimonial, emprego instável, insensibilidade, rejeição, incongruência e comportamento imprevisível dos pais.

Outro tema em destaque é a autolesão na adolescência, que tem sido relacionada a dificuldades em lidar com conflitos emocionais.

Cada vez mais, adolescentes têm recorrido à autolesão como uma forma de aliviar o sofrimento interno, o que levanta questionamentos sobre a importância de oferecer suporte emocional e recursos para lidar com conflitos familiares de forma saudável.

Os conflitos familiares interferem na saúde emocional e mental do indivíduo e, considerando a sobrecarga dos transtornos mentais para a sociedade.

Quando, porventura, os conflitos familiares não são solucionados, poderá haver, como consequência, o distanciamento emocional da família, produzindo uma disfunção psicológica tanto dos pais quanto dos filhos.

 Nesse contexto, a resiliência e a elaboração da situação conflituosa, para que haja entendimento e transformação do mesmo em oportunidade de aprimorar a qualidade dos relacionamentos, são fundamentais, pois possibilita o enfrentamento e a superação nos impactos emocionais negativos relacionados aos conflitos familiares.

Francisco Braga é, Psicanalista, Especialista em Neuropsicanálise (aprimoramento em Neuropsicologia), Psicologia Hospitalar e Psicologia Aplicada à Reabilitação, Neuroterapia com Hipnose Clínica, Saúde Mental com Aprimoramento em CAPS/ SUS e Novos Direcionamentos em Saúde Mental, Aperfeiçoamento em Saúde Mental e Atenção Psicossocial de Adolescentes e Jovens, Neuropsicofarmacologia e CID, Emergências Psiquiátricas e Pós-graduando em Saúde Mental e Psiquiatria.

 

 

 

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