Ao buscar a etimologia da palavra adolescência, verificamos que esta é uma palavra que vem do latim ad (a, para) e olescer (crescer), desta forma essa é uma fase no qual o indivíduo está pronto para crescer.
A palavra adoecer também é apontado como significado de adolescer. Assim, com base nos dois significados, o adolescente está preparado para crescer e para adoecer.
Ao utilizar o termo adolescência devemos esclarecer que não é um conceito psicanalítico.
A psicanálise não aborda em sua teoria aspectos do desenvolvimento do adolescente e sim as questões de um sujeito do inconsciente.
A adolescência é então entendida como um tempo do sujeito com passagem por processos complexos.
A adolescência é retratada na teoria psicanalítica também pelo termo de puberdade.
Ela é acompanhada por transformações corporais e psíquicas, sendo estas marcadas pela atualização do complexo de Édipo e de castração.
Afirma que o repúdio das fantasias incestuosas consuma-se como umas das realizações psíquicas mais significativas, porém mais dolorosa, do período da puberdade.
Romper com o ideal das figuras parentais é um processo doloroso, mas necessário, para que os adolescentes possam buscar outros modelos, adquirir novos conhecimentos e posições diferentes diante da vida.
O sujeito se constitui a partir de duas operações fundamentais: alienação e separação.
O bebê ao nascer vivencia um completo desamparo, pois este não nasce preparado para experimentar as situações do mundo externo, sendo necessário os cuidados de um semelhante.
A mãe, Outro materno, passa a ter um importante papel na constituição do sujeito, pois, ela acolhe e interpreta as demandas do bebê.
Desta forma, o Outro se apresenta como única possibilidade de sobrevivência aos recém-nascidos e como aquele que promove a inscrição deste na cultura.
Todos os seres falantes são forçados a fazer uma escolha na direção do simbólico, alienando- se ao significante do Outro.
Ao escolher a alienação, algo se perde. Portanto, ao entrar na linguagem, perde-se a possiblidade de estabelecer uma relação direta com os objetos e tudo passa a ser mediado pelo significante.
Lacan exemplifica a questão com a lógica da reunião dos conjuntos a partir da seguinte afirmação: no momento em que, [...] escolhemos o ser, o sujeito desaparece, ele nos escapa cai no não senso – escolhemos o sentido, e o sentido só subsiste decepado dessa parte de não-senso que é, falando propriamente, o que constitui na realização do sujeito, o inconsciente.
Neste contexto pode-se dizer que ao optamos forçadamente pela alienação nos situamos no mundo dos significantes.
Neste momento algo escapa, algo se perde. Um sujeito para se constituir como sujeito do inconsciente, se ver forçado a escolher um sentido e ao fazê-lo perde parte do sentido, como efeito da linguagem.
O novo ser sai da ordem dos instintos e passa a constituir um corpo marcado pelo significante, pois não é possível pensar em alienação que não seja significante.
O sujeito se paralisa, pois ele está atrelado, petrificado, ao desejo do Outro. Na alienação o sujeito está sob o comando do Outro.
O mecanismo da separação se opõe a alienação, constituindo-se como um momento em que o sujeito instaura a falta em si e no Outro.
O sujeito passa a se voltar para estrutura que o alienou e percebe que existe outra coisa no Outro para além dos significantes.
Isso permite ao sujeito sair do lugar de objeto e se posicionar no desejo. Antes o sujeito estava petrificado no desejo do Outro e com a separação ele se opõe a alienação e se torna um sujeito desejante, um sujeito faltoso.
O Outro que olha para o bebê e indica para ele um lugar, nomeando-o, também olha para outra direção, remetendo a um ausente e ao desejo do Outro o que é evidenciado pelo complexo de Édipo.
A operação de separação é indicada pela introdução de um terceiro elemento entre o sujeito e o Outro, designado como o significante do nome do pai.
Na separação o sujeito não somente se torna desejante, mas também se tornará responsável pelas suas escolhas.
O sujeito adolescente, logo, será aquele que precisará lidar com sua falta no Outro e experimentar a posição de sujeito do desejo.
Ao encontrar um objeto que lhe brilhe aos olhos como fálico o adolescente tentará dar uma resposta ao seu desejo, resgatando uma suposta completude, porém, simultaneamente irá vivenciar a falta.
Francisco Braga é Psicanalista, Especialista em Neuroterapia com Hipnose, Saúde Mental, Neuropsicanálise, Aperfeiçoamento em Saúde Mental e Atenção Psicossocial de Adolescentes e Jovens e Emergências Psiquiátricas.